domingo, 12 de maio de 2013

Verborreia escrita

Quero escrever qualquer coisa. Apetece-me. E nestes últimos tempos a vontade para alguma coisa tem sido tão escassa que quero aproveitar para ver se o ciclo se quebra de vez. Por isso deixa-me escrever, mesmo que seja uma bosta. Mesmo que seja forçado e feio e amanhã te apeteça apagá-lo com vergonha que alguém repare. Quero escrever, por exemplo, que a derrota do Benfica esta noite que passou me deixou triste. Não por ser um adepto ferrenho ou troglodita para quem o futebol é pior que um fundamentalismo religioso qualquer - nem sei quem são metade dos jogadores e só conheço o treinador porque estão sempre a gozar com o senhor por causa da sua falta de eloquência - mas porque senti naquela derrota algo de familiar, um sentimento de inevitabilidade - no fim, dê por onde der, o Porto ganha sempre; consta que é limpinho. Sentimento esse que acaba por encontrar paralelo com aquela sensação de vazio sufocante que volta e meia surge de novo e termina em inércia exasperante, pelo menos até encontrar algo novo que me consiga entreter. Lá no fundo, o meu problema - para além de ser parvo - é que tenho de ir arranjar mais livros para ler, que o último até era extenso, mas já se acabou, e assim manter-me entretido o tempo suficiente para não conseguir vislumbrar a realidade onde estou enfiado e da qual não consigo e não vejo como sair. De tal maneira que passei todo o dia de ontem e de hoje a ponderar seriamente numa candidatura para me pirar para Marte dentro de 10 anos e sem bilhete de regresso, na vã esperança de assim dar finalmente algum significado profundo a esta existência solitária e deplorável que tenho vindo a arrastar sem direcção ao longo de todos estes anos. Aí sim, lá deixaria de ser considerado um inútil e já ninguém poderia vir com a lengalenga de que «é preciso sair da nossa zona de conforto». Como se ter quase 27 anos e continuar sem quaisquer perspectivas de futuro, a depender de terceiros para viver, e sem conseguir a merda de um trabalho qualquer, mal pago que seja e a fazer o que bem quiserem, é algo bastante confortável e a que qualquer malandro como eu obviamente aspira e com o qual sonha ardentemente. Por isso a culpa é minha e apenas minha, só pode ser minha. Porque não quero emigrar ao desbarato para parte incerta por não ter dinheiro para me sustentar lá fora, ou porque não quero ser da moda e cool e ser "empreendedor" criando o meu próprio negócio - ou melhor, business, que em inglês é mais in - por não ter qualquer ideia rentável e, mais uma vez, por não ter dinheiro suficiente e não querer ficar falido em menos de nada. Desculpas, meu menino! Tudo desculpas! E é por isso que o jogo do Benfica me deixou triste e letárgico, pois por mais que tenhas feito tudo o que te era possível, por mais que tenhas sido sempre exemplar e excepcional, no fim perdes na mesma. É inevitável.

2 comentários:

Elsa TR disse...

Desculpas mais que válidas, na minha opinião. É uma merda, não temos de ser todos empreendedores e cheios de ideias geniais, não temos de ser todos iguais e excepcionais e cheios de sucesso. Isso não acontece e ponto. E a culpa não é nossa.

Erre disse...

;)