segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Por aqui parece que só o tempo é que passa


Hoje tive mais um "quase" na minha tentativa de carreira profissional. E com ele lembrei-me de um post de há uns tempos (ler aqui) que me levou mais uma vez a constatar que por mais que tente que isto mude, mais a coisa fica na mesma. "Tenta mais, esforça-te mais, arrisca mais", dizem-me, e eu já não sei como reagir. Um tipo quer manter-se optimista, mas o desalento assenta e se calhar 4 anos sem conseguir voltar a trabalhar na minha área são um sinal de que é melhor dedicar-me à pesca.


domingo, 23 de julho de 2017

Coisas que se descobrem quando se passa a ficar a cargo das lides domésticas



O pior castigo que podem dar a um obsessivo-compulsivo é colocá-lo a lavar tupperwares. Acredito piamente que há todo um oitavo círculo oculto no Inferno de Dante composto exclusivamente de tupperwares sujas para lavar.



quinta-feira, 13 de julho de 2017

Resumo de duas semanas e meia a viver sozinho


Nunca em toda a minha vida me ocorreu que eu e o Capitão Iglo viéssemos um dia a ser grandes amigos.


terça-feira, 4 de julho de 2017

Saindo debaixo duma pedra


Mudei finalmente de casa há coisa de uma semana, e ao fim de todo este tempo de blackout tecnológico, tenho finalmente serviço de televisão e internet aqui na man-cave.  Ao ligar a televisão e parar num canal noticioso apercebo-me que se anda a discutir seria e afincadamente a possibilidade de um clube de futebol ter contratado serviços de bruxaria (ler aqui). 

Bom saber que não fui só eu a retroceder ao século XV nos últimos tempos...



quarta-feira, 7 de junho de 2017

Constatações idiotas


Sempre que vejo uma selfie de alguém que lhe colocou um daqueles filtros de alegado embelezamento em que os olhos ficam maiores, eu sei que aquilo é suposto ficar mais bonito, mas eu não consigo deixar de me lembrar do Gollum do Senhor dos Anéis.


E isto não é bonito...



sábado, 3 de junho de 2017

Sabes que estás velho...



Quando vais ao médico, entras no gabinete e te deparas com alguém a atender-te que, por comparação, te parece uma criança.


sábado, 20 de maio de 2017

"Um homem não se governa sozinho"


Porque estamos mal habituados, pensei eu ao ouvir as palavras do meu avô. Há vários dias, semanas até, que a antecipação desta conversa me causava ansiedade e noites em branco. A visão que temos do mundo e da sua realidade é tão divergentemente marcada que temi a sua reacção. Mas enquanto lhes explicava as razões que me levam a sair de casa, por que motivo é importante e premente fazê-lo agora, e como até é positivo uma pessoa viver sozinha antes de se juntar com alguém, a conversa foi bem mais simples e indolor que o esperado. 

De tal maneira que até tive direito a um "tu não tens sido um tipo parvo, és esperto, e fazes as coisas com cabeça", o que, traduzindo para quem não está habituado ao discurso escasso em manifestações de afecto típico desta casa, significa algo semelhante a sentimentos de orgulho. 

Acho que hoje vou dormir descansado.

Wake up call


Pessoas com filhos e que fazem compras, é suposto os cromos, cartas, cadernetas e afins que vêm como brinde para vos obrigarem a ir às compras ao espaço comercial em causa, serem para os vossos filhos coleccionarem, não vocês. Deixem o raio dos miúdos interagirem uns com os outros e deixem-nos ser eles a terminar as colecções com as trocas entre eles. Há lições de vida muito mais interessantes e produtivas nesses momentos do que em apresentar-lhes uma caderneta já terminada com a qual eles nunca tiveram contacto e à qual nunca irão dar valor. Raios partam, há mais lições de vida em não conseguir terminar uma caderneta. Que o digam as minhas cadernetas do Dragon Ball.



domingo, 14 de maio de 2017

O que eu gosto de uma boa ironia



O tipo não canta em inglês e ninguém o vai perceber, o tipo vai com um estilo musical que destoa do habitual naquele concurso, o tipo vai com uma actuação demasiado simples para aquele espectáculo circense, o tipo é um bocado "estranho". O tipo, apesar disso tudo, ganha aquilo com a maior razia de sempre (ler aqui), provando que no final de contas, se dermos alternativas e conteúdo de qualidade ao público, o público curiosamente até sabe apreciar, aprova, e agradece. 
A tradição familiar de assistir à Eurovisão há muito tempo que se andava a tornar um martírio só levemente amenizado pelos momentos caricatos e sui generis  que caracterizam o evento, que hoje foi compensado por este momento "in your face".

Por isso, vou continuar para aqui a rir à gargalhada disto tudo, enquanto aguardo pela transição nas redes sociais dos discursos de "Portugal assim é que não ganha nunca, é uma vergonha!" para os de "Lindo serviço! Pró ano, vamos ter que gastar um balúrdio a organizar esta porcaria. Tenham vergonha!", e enquanto ignoro de forma inquieta a descarada manifestação em força dos 3 F's a que assistimos hoje neste país. Vamos acreditar que amanhã não nos vamos deparar com ninguém a aproveitar a deixa para fugir para Bruxelas. *cof cof 2004 cof cof*



sexta-feira, 12 de maio de 2017

Nem sei... às vezes dá-me para isto.


Hoje, enquanto se conversava ao jantar, apercebi-me que não só é tão fácil, como será certamente o nosso maior mecanismo de defesa no sentido da auto-preservação, assumirmos que nós, e os nossos, somos bons. Com isto quero dizer, boas pessoas. Assumindo a banalidade e o pouco que vou contribuir para o tema, estamos longe disso, somos algo intermédio na melhor das hipóteses. Na realidade somos vítimas do nosso tempo, resultado daquilo que aprendemos. Houve até em tempos quem indicasse que a culpa de quem somos é da nossa mãe.

Aquilo que somos será portanto o aglomerado de tudo aquilo que vivemos e da forma como agimos perante as situações que a vida nos apresentou. No entanto, como também já houve quem o dissesse antes, o todo é mais que a soma das suas partes. No fundo, somos mais que a soma dos momentos em que fomos a típica "boa pessoa" e dos momentos em que fomos seres humanos reprováveis.

Neste caso em particular, acreditando convictamente que não passamos de vítimas das nossas circunstâncias, defino pessoalmente uma "boa pessoa", uma "pessoa espectacular", um "ser humano incrível", pelo conjunto de momentos em que apesar do seu mindset, em detrimento do seu bem-estar, essa pessoa tomou a decisão mais altruísta e mais empática que seria de esperar.

Já uma "má pessoa", um "ser humano execrável", seria por razão da lógica, o seu extremo oposto. Contudo, quando tentamos perceber esse aspecto numa pessoa que nos está próxima, o exercício parece mais difícil por vezes, possivelmente culpa da boa da auto-preservação já mencionada, uma vez que essa pessoa será inevitavelmente um contributo para o resultado daquilo que nós mesmos somos.

Hoje, enquanto se conversava ao jantar, tocou-se no passado. No passado anterior à minha existência. Aquele tempo de que pouco sei, porque nesta casa é tradição atirar os momentos difíceis para baixo do tapete e fingir que não há nada de errado com todo o vulto acumulado lá debaixo. Aproveitei a deixa e fui puxando na esperança de achar o fio à meada e o que encontrei foi um misto de orgulho de levar às lágrimas num conjunto de seres humanos nos quais me orgulho de ser descendente, e de tristeza tremenda daqueles que não conseguiram encontrar a sua humanidade quando ela foi mais necessária.

Hoje enquanto se conversava ao jantar, perguntei-me se serei boa pessoa. A auto-preservação obriga-me a dizer que sim. Na verdade, espero pelo menos ter herdado um pouco daquilo que os meus antepassados tiveram de melhor, e que esse pouco seja suficiente para suplantar aquilo que tiveram de pior.