quinta-feira, 10 de março de 2011

Assincronia

O som das molas do colchão irrompe efusivo pela escuridão do quarto obedecendo aos movimentos rotineiros e mecanizados dos seus corpos agitados. Mas o concerto depressa termina e ele prontamente lhe vira costas sem se despedir. Ela segue-lhe o exemplo, num choro mudo de quem não sabe já onde se perderam um do outro para chegarem ali. Mas a verdade é que quanto mais se aproximaram os corpos, mais os seus espíritos se repeliram. E o sexo foi ficando como o único elo que ainda os une. Até se tornar mais uma convenção, mais uma rotina, mais uma obrigação.
Ela acomoda os lençóis ao seu corpo usado e acaba por ceder ao sono pelo cansaço de uma cara coberta de lágrimas. Ele assiste a mais uma noite passada em claro, atormentado pela frequente constatação que lhe invade os pensamentos. «Já nem o sexo é bom...»

2 comentários:

T disse...

Faz mais.

Metacrítico disse...

A sério? Até não gostei muito do resultado, mas irei tentar certamente. ;)