segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Actualização Tinderiana







Não, não há nada de novo... (ler aqui).


E depois de publicar isto, começo a sentir-me demasiado tentado em colocar a foto da aplicação exactamente assim...



domingo, 8 de janeiro de 2017

Um velho do jardim


Do alto do jardim vê-se toda uma parte da cidade. Velhos labirintos de ruas formados pelas brancas casas encosta abaixo desaparecem na muralha até dar lugar a campos verdes sem fim percorridos por estradas onde por vezes se vislumbram carros a passar. O céu cinzento ameaça cair sobre toda aquela paisagem enquanto um velho de olhar cansado e triste fita o horizonte sentado no muro mais próximo. Enquanto ajeita a boina no topo da cabeça, suspira e pega um lenço do bolso com o qual limpa a fronte, sem nunca retirar da paisagem o olhar perdido. Busca, quem sabe, na vastidão do cenário o fio à meada de toda a uma história de vida ou, talvez procura se a linha do horizonte se mantém no mesmo sítio.



(rascunho inacabado de 19/02/2013.
Trazer à luz do dia devaneios obscuros do passado
 é um exercício de introspecção no mínimo curioso.)



sábado, 7 de janeiro de 2017

Figuras incontornáveis


Disse algumas vezes em conversa, meio a sério, meio a brincar, que temos uma democracia à imagem e semelhança de Mário Soares. Tanto no que ela tem de bom, como no que tem de mau também.

Gostássemos ou não da personagem, no mínimo isso lhe devemos. Mário Soares morreu a 07-01-2017 aos 92 anos (ver aqui). Enquanto português só me resta esperar que aquilo que ajudou a criar dure muito mais tempo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Problemas de malta mal paga


Não sei se sou só eu que ganho uma miséria, ou se o mercado de arrendamento em Évora está pornograficamente caro. Com estes preços, acho que com sorte consigo arranjar um buraco numa árvore bem aconchegante. 

Desde que comecei a pesquisar casualmente por uma casa decente onde um tipo possa viver sozinho, que finalmente muita coisa sobre a vida em geral começou a fazer sentido. Agora já percebo por que razão as pessoas se juntam. O amor é uma desculpa, as pessoas precisam é de ajuda monetária para sustentar uma casa! A sério, acho que encontro órgãos humanos no mercado negro bem mais baratos que um T0 sem água canalizada.

E depois temos o problema de não podermos confiar em nada do que aparece publicado por aí. Há uns tempos, vi um anúncio com o título "Casa Rústica no Campo", abri-o por curiosidade e nas fotos da casa só restava uma parede com musgo rodeada de vegetação. O primeiro pensamento que me ocorreu foi que ao menos é arejada, mas afinal o que estava à venda era o terreno para reconstruir a dita casa que já (ou ainda?) não existe.

E agora vou mas é continuar a babar-me para cima de anúncios de casas para as quais não tenho dinheiro, que por enquanto isso ainda não cobram.


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Long time no read


Vamos lá tirar o pó a este blog. Ainda se usa o Blogger? Confesso que nestes últimos tempos de apatia generalizada da minha parte, perdi um pouco a noção daquilo que "está in" no mundo virtual. Estava até à espera que me tivessem fechado a loja por falta de uso, mas parece que não.

Ainda fui tentando manter isto a rodar, mas a verdade é que a minha vida estagnou de tal maneira nos últimos anos, e eu deixei-me de tal maneira consumir por isso, que a vontade e a capacidade de escrever algo minimamente interessante foi sucumbindo aos poucos. É, no entanto, discutível que algo interessante e profundo tenha sido alguma vez aqui escrito, mas isso é toda uma outra história...

Na verdade, achei que não tinha nada já para dizer ou que alguém quisesse ler o que para aqui se escreve sobre a minha entediante vida e sobre a minha opinião sobre o dia-a-dia. E realmente, o que interessa o que penso? O advento das redes sociais veio enjoar-me um pouco em relação à ideia de toda a gente ter que ter a sua opinião "gritada" em público para toda a gente a aprovar numa chuva de likes automasturbatórios, e por isso fui-me "calando".

E ao calar-me, esqueci-me que na verdade abri a loja para bem da minha sanidade mental e para nada mais. Sim, porque nada mais explica a quantidade de posts embaraçosos espalhados por esta página fora.

Mas apesar de estagnado, a vida continuou, e muitas oportunidades de sublimar toda a frustração foram perdidas.  O trabalho no call-center continua também e foi, em parte, o maior responsável pelo estado de autocomiseração em que se tornaram estes últimos anos. A chegada aos 30 deu-me mais cabelos brancos e barba grisalha, e a constatação que o mais próximo que vou estar de ser uma personagem de BD é caminhar a passos largos para me parecer com o Dr. Strange ou com o Ra's Al Ghul (google it e vão perceber).

Acabei por conseguir instalar o Pokémon Go e, como toda a gente, depressa me fartei daquilo. As aventuras pelas aplicações de procura de parceiros amorosos têm sido um desastre como seria de esperar. Ando a fazer hidroginástica e a constatar que tenho menos resistência física que senhoras de 60 anos com artrite. E decidi oficialmente sair do ninho e começar a procurar casa para viver sozinho... Um dia destes... Talvez este ano ainda... Ou no próximo... Não há prazos mesmo...

E o que é que isto interessa? Nada! Mas vou tentar vir para aqui queixar-me de tudo isto mais vezes na mesma. 

Sem compromissos.




terça-feira, 19 de julho de 2016

Sobre o Pokémon Go só tenho uma coisa a dizer



WHY DON'T YOU LOVE ME?! WHY?!!!


Não quero falar sobre isso...



Daqui


sábado, 16 de julho de 2016

Não resisto a mais uma bojarda



Ainda embalado na onda do post anterior, assistir ao Erdogan fazer um comunicado através duma aplicação para smartphone para que o povo se manifeste nas ruas é mais ou menos o mesmo que termos o José Eduardo dos Santos a querer juntar-se a um clube literário, o Hitler a querer praticar o Sabbath, ou o Cavaco a considerar que o Saramago até tinha umas ideias interessantes.



Já faz parte


Em pleno golpe de estado na Turquia há gente de smartphone em punho a tirar selfies. Arriscaria que provavelmente haverá também alguém a tentar apanhar pokémons lá pelo meio.

(contexto aqui e aqui)

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Não ligo nada a futebol, mas...



... adoro mesmo uma boa ironia. 

Portugal ganhou o campeonato da Europa quando todos duvidaram das convocatórias do seleccionador; quando todos criticaram as tácticas (ou falta delas) e a forma de jogar da equipa que parecia não ir muito longe; quando aquele que era tido como o único jogador que podia dar-nos algum resultado é afastado à força da final em lágrimas; quando todo um país hipocritamente racista passou de repente a venerar um cigano e um negro; quando toda a gente estava convicta que eram os outros que iam e que tinham que ganhar (que o diga a equipa da arbitragem. Valeu o esforço); quando o campeonato é decido com um único golo de um jogador de quem ninguém gostava.

A final foi o único jogo que cedi a ver completamente. E ainda bem, pois aquilo não foi só um jogo entediante de futebol. Aquilo foi tragicomédia no seu melhor que terminou comigo a rir à gargalhada de tão brilhantemente "escrita".



terça-feira, 5 de julho de 2016

«Não há ninguém perto de si»



"... Eu sei, Tinder, foi precisamente por esse motivo que aí criei uma conta."

Passaram-se dois meses desde que criei uma conta no Tinder (ver aqui), e a experiência está a ser mais ou  menos a mesma de quando uso Axe. Uso aquilo, mas elas não caem instantaneamente que nem tordos como na publicidade.

Para quem não conheça a aplicação, a experiência ao início é no mínimo um pouco bizarra. Cheguei mesmo a descrever a coisa a amigos meus como estares em frente à vitrine dum talho a decidir qual é o melhor naco de carne disponível, só que a carne são moças, e por algum motivo as moças são maioritariamente espanholas e brasileiras. Logo estás num talho metafórico, mas num que existe dentro de um livro do Eça de Queiroz.

Apesar do triste reflexo da minha realidade que esta aventura virtual está a ser, a experiência global está a revelar-se toda uma dissertação sociológica.
Gosto particularmente do facto de a maioria dos perfis femininos consistirem apenas numa foto com um nome e uma idade. Sem nada mais. Elas sabem que não precisam de mais para conseguirem um "like". E têm razão. 
Já deste lado, a sensação é que tens que dar o teu máximo para seres o pavão que mais se destaca. Tens que parecer giro. Tens que parecer inteligente. Tens que parecer interessante, Tens que parecer divertido. E com sorte ao fim de dois meses consegues três correspondências, duas das quais duvidas seriamente que não tenham sido por engano. (Meninas, a caixa de mensagens é suposto ter uma função!)

Mas as constatações sociológicas não se ficam por aqui. Temos também as situações caricatas. Por exemplo, nunca sei se as jovens que criam contas na aplicação com fotos acompanhadas dos seus namorados me estão a querer dizer que não querem cá tipos a atirarem-se a elas - invalidando assim toda e qualquer lógica para terem criado uma conta ali em primeiro lugar -  ou se na verdade me estão a querer dizer que a festarola a acontecer vai ser a três, mas não com o rácio de mulheres para homens que nós assumimos sempre nessas situações.

E o que dizer das fotos com crianças? Ou melhor, que dizer dos perfis em que a foto principal são só crianças? Senhoras com filhos, compreendo que procurem alguém que esteja disposto a gostar das vossas crianças e a aceitá-las. Não sei é se com essa táctica não vão só ter correspondências com pessoas que estão dispostas a gostar demasiado das vossas crianças... 

Temos ainda a questão dos perfis falsos criados por bots mal intencionados que nos querem contaminar as maquinetas com malware. Abundam por ali, e as probabilidades de termos uma correspondência com alguém que no fim não passa duma Bimby são bastante elevadas. Dito isto, nem o raio das máquinas me pegam!

Por último, queria deixar uma mensagem de afecto para o informático do Tinder que se lembrou de inventar o "Super Like", essa linda opção cujo comando se confunde a toda a hora com o comando de aceder aos detalhes do perfil, o que faz com que enviemos constantemente "likes" especiais a quem não o queríamos fazer e assim passar vergonhas quando essa pessoa nos faz "like" de volta. Citando o filme The Dark Knight, «some men just want to watch the world burn». Estou solidário, companheiro.