sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa!

«A Troica exige que a dívida pública cresça» ... «Anda aqui alguém, há muitos anos, a viver à conta de quem trabalha».

Uma entrevista, de alguém que foi fazer umas contas, para ver até ao fim.

Sinais do tempo

Ontem apercebi-me que dentro das minhas narinas não só há por lá pêlos brancos, como esses já ultrapassam os pêlos que correspondem à cor natural do meu cabelo. Não há volta a dar, estou a ficar velho.

domingo, 28 de outubro de 2012

A ver se nos entendemos

Parece que o sr. Primeiro Ministro veio dizer na sexta-feira que é necessária "uma refundação do nosso programa de ajustamento. Não (se trata) de uma renegociação, mas de uma refundação." (ler e ouvir aqui). Acho que ninguém percebeu o que o homem quis dizer com isto, visto que o sr. disse também que "não é para pedir mais tempo" (e mais dinheiro espero que também não!).
Como também não percebi o que o raio do homem quis dizer com isto, fui até ao dicionário e encontrei a seguinte definição:

refundar:
v. tr.; Tornar mais fundo, profundar, afundar. (daqui)



Por isso, sr. Primeiro Ministro, o sr. quer afundar com o programa de ajustamento (ou seja, acabar com ele) ou quer aprofundá-lo, e quem sabe afundar de vez com o país? Precisamos que nos esclareça, porque eu pelo menos acho mesmo é que:



E em último caso, pode sempre pedir ao dicionário de língua portuguesa para fazer o mesmo que o dicionário oficial australiano fez depois de uma discussão acesa entre a Primeira Ministra da Austrália e o líder da oposição: alargar a definição do conceito para incluir a sua (ler aqui) e passar a ter razão seja lá no que for que acha que tem.

sábado, 27 de outubro de 2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

«Fasting love will lead us all to nowhere»

Hoje é dia de vasculhar pelas memórias musicais. E hoje limpo o pó a esta e ao seu título.



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Acho que também vou precisar de um

No meio disto tudo, o Paulo Portas é que foi esperto. Com tudo à nossa volta a afundar-se, o melhor é mesmo precaver-nos com um submarino ou dois.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

terça-feira, 16 de outubro de 2012

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

It means something

Hoje o metro ia cheio. No meio das pessoas com as quais sou forçado a ter contacto íntimo para tentar apanhar o autocarro que me deixe mais cedo em casa, apercebo-me das luzes que reflectem a triste cena nos vidros das portas. No meio daquela gente noto um reflexo familiar. No meio do reflexo daquela multidão comprimida, vejo o meu pai com ar sério e taciturno. Tal avistamento deixa-me confuso e baralhado durante escassos segundos, pelo que olho mais atentamente em busca de confirmação e acabo por constatar que aquele reflexo é na verdade meu.

domingo, 14 de outubro de 2012

Ponto da situação desabafado

Perdoem-me o desabafo lamechas, mas preciso orientar ideias. Estes meses têm sido meses de aprendizagens. A todos os níveis.

A primeira é que gosto de Lisboa, apesar de achar que tudo está longe de tudo, mesmo com essa invenção fantástica que é o metropolitano. Constatei é que gosto dela pelas razões erradas. Aqui sou verdadeiramente ninguém, completamente invisível, tanto pela imensidão de desconhecidos que se cruzam diariamente como pelo facto de ninguém querer saber de ninguém. Fascina-me como toda a gente vai por aí no meio desta multidão fechada no seu mundo, alheia a tudo o resto. Gosto de Lisboa por isso, sinto-me um miúdo com a sua lupa a seguir um carreiro de formigas para lado algum.

A segunda é que Évora é afinal um pedaço de mim que não consigo deitar fora. Faz-me bem o seu sossego, a sua paz, preciso do nada que acontece a todo o momento. Gosto de me preocupar com ela e de acreditar que faço lá falta, sabe-se lá para quê.

A terceira é que me enganei a mim mesmo. Durante cinco anos da minha vida acreditei piamente que este era o meu caminho, que ter boas notas no curso que escolhi, gostar dele, só poderia ser um sinal que tinha acertado e que era este o futuro a seguir. No entanto, a realidade de trabalho começa a revelar-se uma desilusão e acho que não sirvo para isto, que não sou tão bom como pensei que poderia ser. Na verdade acho que isto não sou eu e a realização disso deixa-me de rastos. Mudar de rumo já me passou pela cabeça, mas não tenho para onde, nem para o quê, nem para quem. Ao contrário de toda a gente à minha volta, não sou bom em nada, não tenho talento para nada, nem há nada que goste de fazer, nem nada que me consiga imaginar fazer. No fim de contas, não tenho para onde me virar, o que me leva à quarta e última aprendizagem:

Não passo de um preguiçoso inútil com medo de agir para não falhar quando na verdade já falhei no mais importante. Viver.