quarta-feira, 4 de abril de 2012

Um alentejano na Capital: o terceiro dia

Mais um dia de trabalho. Os músculos das pernas já não sabem o que é ausência de dor e anseiam pelo dia em que se encontrarão com uma balança e vejam se a recente actividade física forçada está a surtir, pelo menos, alguns efeitos (ver aqui).
De resto, dois pontos a salientar. O primeiro é que começo seriamente a desconfiar que o pessoal para estas bandas tem uma grave distorção da dimensão e densidade populacional do Alentejo. Já perdi a conta às vezes que me perguntaram se conheço determinada pessoa que também é duma terra qualquer no Alentejo ou que andou na Universidade de Évora. O segundo ponto prende-se com literatura. Aproveitei a hora de almoço para ir dar uma volta ao El Corte Inglés ver livros. Chego a um conjunto de estantes que dizem "Literatura Lusófona". Reparo que estão organizadas por autores. Reparo mais especificamente que o Eça de Queirós tem como vizinha a Margarida Rebelo Pinto. Nascem-me mais uns cabelos brancos com esta visão, viro costas e vou-me embora.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Oh mãe! É desta que eu emagreço!

Aspectos a reter dos primeiros dois dias de trabalho em terras da Capital e arredores: 

  • Esta gente não podia ter feito as cidades num local mais plano? É que com tanta rua exageradamente inclinada qualquer dia tenho um fanico;
  • O Metropolitano é mesmo a melhor invenção do planeta, já não posso é com as escadas de acesso. É que isto de ter de andar a correr para saltitar de linha em linha e de linha em autocarro, para os apanhar a tempo, vai provocar-me o mesmo que o ponto anterior;
  • As pessoas são fascinantes. Desde velhinhas que reclamam por não lhes darem o lugar no metro para se sentarem, acabarem por conseguir o dito lugar e saírem na estação imediatamente a seguir, passando por senhores que se "colam" às portas do metro e do autocarro como certamente já não o fazem às suas esposas, não vá alguém atrever-se a sair antes deles, até pessoas que nos olham como se fôssemos extraterrestres por procurarmos ser gentis e civilizados;
  • O local de trabalho parece porreiro e na quase totalidade das vezes sou o único homem no meio de 7 mulheres. Isto à primeira vista até pode parecer engraçado, mas temo pelo inevitável aparecimento de um fenómeno da natureza chamado sincronização menstrual. Tanta TPM junta deve ser um acontecimento explosivo.

sábado, 31 de março de 2012

"Nunca parto inteiramente"*

Faltam poucas horas para rumar a outras paragens. E desta vez sabe diferente. No calendário a data de retorno é uma interrogação e é como se me forçassem a arrancar as raízes à pressa. Desta vez sinto que deixo parte de mim para trás. E nisto quando se gosta muito da cidade onde se nasceu e viveu durante toda a vida, quando olhamos com pena e incerteza para o seu futuro, é o mesmo que termos de dizer adeus a uma mulher que amamos mas com a qual não podemos mais viver.




*(música aqui)

quinta-feira, 29 de março de 2012

For all the wrong reasons...

Segundo o T., ter um emprego tem tudo para vir a ser o «novo sexy». Sendo assim, ao fim de uns longos 25 anos, chegou finalmente o dia:




Tudo isto para salientar que um mundo onde eu possa vir a ser, ainda que remotamente, considerado sexy é no mínimo um lugar muito estranho.

quarta-feira, 28 de março de 2012

quinta-feira, 22 de março de 2012

Por aí, não!


Simplesmente porque ontem foi o dia mundial da poesia e gosto mesmo muito deste poema e então, inspirado na irreverência estampada no mesmo, coloco-o aqui hoje e não ontem.

Também o coloco aqui para tentar exprimir a decepção que o dia de hoje, de greve geral, me tem causado. Preocupa-me muito o caminho que estamos a levar e a completa ausência de sentido cívico de todas as partes que se tem vindo a revelar, principalmente quando se fala de algo tão precioso como é a liberdade. Se por um lado temos piquetes de greve a pressionar e ameaçar quem não quer fazer greve a fazê-la, por outro temos também "patrões" a fazer o mesmo para obter o contrário. Onde fica a liberdade de escolha individual aqui no meio disto tudo não sei bem. E isso preocupa-me.
E, como se não bastasse, temos ainda confrontos com gente a bater em polícias, e polícias a bater em gente e até em repórteres fotográficos que, alegadamente, apenas registavam os acontecimentos (ler aqui). Que raio é isto?! O país está doido, atrevo-me a dizer mesmo esquizofrénico, e faltam-me as palavras para retratar o meu desapontamento. Parafraseando o poema, de facto soluções não as tenho nem as encontro, mas sei que não é por aqui que quero ir, não.

terça-feira, 20 de março de 2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

As pessoas fascinam-me

Acho verdadeiramente curioso que a minha mãe, que passava o tempo todo a queixar-se que eu estava sempre fechado em casa, que estávamos mal de dinheiro e que eu tinha mas é de pensar em ir à minha vidinha, seja agora a única pessoa a insistir para que eu venha a casa todos os fins-de-semana quando passar a viver em Lisboa e que se for preciso paga do seu bolso as minhas viagens.

terça-feira, 13 de março de 2012

Uma simples ida a Lisboa

Constatações do dia:

Enquanto espero pelo expresso desejo, por uns minutos, ser fumador para também ter meninas bonitas a pedirem-me lume;

Andar de metro é básico, o problema é mesmo a superfície. A estação de metro do Saldanha, aparentemente, tem várias saídas e sair na errada implica ter de percorrer à pressa o dito Saldanha de uma ponta à outra. Tendo em conta a distância (Lisboa e a sua mania de ser enorme) é brincadeira a não repetir.

O IEFP não grama as Ordens Profissionais e quem se lixa sou eu, e cheira-me que não vai ser pouco.

Almocei um prato vegetariano (beringela à Brás?) e gostei.

Trabalhar cansa.

Tenho duas semanas para encontrar casa/quarto em Lisboa a um preço acessível e de preferência perto do metro (seria tão mais simples!), pois a partir de dia 1 de Abril tenho de "residir" na zona.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Not creepy (and sad!) at all

Querido Pai Natal,

Este ano escrevo-te muito mais cedo que o habitual para te relembrar que há muito tempo que me tenho portado bem e que tenho sido um bom rapazinho. E por isso acho que mereço uma recompensa adequada por todos estes anos de dever cumprido. Não me interpretes mal, não quero presentes caros e fúteis, nem nenhum dos gadgets da moda consumista desenfreada. Sabes bem que tenho gostos simples e modestos e que me contento com pouco. Como tal, e nessa corrente de modéstia e simplicidade, peço-te apenas um presente. Coisa pouca. Que me deixes debaixo da árvore a actriz Emilia Clarke.





Pode ser, pode ser?! Prometo cuidar bem dela e tratá-la com todo o carinho, atenção e respeito necessários. Pretty please?!

Atentamente,
Metacrítico