Dos teus olhos transpira uma solidão ancestral que sempre a sentiste tua, mas que não te pertence. Como que incrustada no código genético, os seus magros dedos esganam-te enquanto a sua negra boca te sopra bafienta que não lhe podes fugir. Lentamente vai-se exalando pelos poros da pele, enquanto te corrói a alma, tal como o vento faz com as árvores, até lhes deixar apenas um casco oco e enrugado, um esqueleto do vazio. E aos poucos as ilusões cuidadosamente criadas, tentativas falhadas de humanidade, assentes em castelos de cartas e protegidas por muralhas de areia, vão ruindo e desmoronando até só restares tu e ela. E nessa imposta simbiose que te definha, nessa dança lenta de um triste passeio para lado nenhum, até a velha solidão te deixará a dançar sozinho. Sim, pois no Fim, sempre o soubeste, no Fim não há mais nada. Estamos sós, verdadeiramente sós e nada há para além de nós.
Não tenho tido muito tempo ultimamente para me informar como deve ser sobre o que se fez nos últimos dias relativamente ao acordo laboral entre os parceiros "sociais" e governo (ver notícia), mas é impressão minha ou este entendimento assenta no pressuposto estúpido - e que este governo parece querer impingir à força - de que os portugueses são uns malandros e uns preguiçosos irremediáveis e por isso têm é de ser forçados a trabalhar mais e se não quiserem, pontapé no rabo, que com as filas de desempregados a crescer haverá quem não tenha outro remédio a não ser querer.
E para além disso, também me pareceu que a ânsia de acabar a todo o custo com a idiotice da meia-hora extra acabou por correr pior do que não lhe mexer e, pelos vistos não fui o único a reparar nisso:
Há mais de dez anos que não o segurava no meu colo. Sempre foi um cão "dono do seu focinho" e de feitio difícil. Em parte a culpa também é minha, que nunca soube transmitir afecto e fiz com ele o que faço com as pessoas que me são próximas - parto do princípio que sabem que gosto delas e fico-me por aí. Foi por isso estranho voltar a carregá-lo nos braços ao fim de todo este tempo sem o ouvir protestar ou sem que me tentasse morder. Em vez disso, as suas forças desvaneciam-se e o olhar vazio acusava o cansaço de uma vida longa de mais para a sua espécie.
O meu cão vai morrer. Hoje juntou mais um problema à lista que a velhice foi acumulando e a necessidade de passar os próximos dias internado vão-nos confirmando que será apenas uma questão de tempo. O meu cão vai morrer e não há racionalização ou incapacidade de demonstrar afecto que me valham.
Receber encomendas pelo correio nunca mais foi a mesma coisa desde que isto apareceu. O entusiasmo pela chegada das encomendas, no meu caso, sempre foi muito mais pela antecipação do prazer proporcionado pela oportunidade de rebentar o plástico com bolhas de ar que envolve as ditas cujas do que por receber as coisas que encomendei. E rebentar isto não tem piada nenhuma...
“Agradecemos-te, Senhor, por este ficheiro que vamos sacar.” Depois de já termos um partido a deambular por essa Europa fora (Partido Pirata), já cá faltava também uma religião. A Igreja Missionária do Kopimism foi reconhecida pelas autoridades da Suécia (ver notícia) e agora, oficialmente, a informação é sagrada e o acto de a copiar é um sacramento para os seus seguidores.
Já estou a imaginar a chuva de queixas que vão começar a surgir contra a ASAE por discriminação religiosa.
Não se deixem levar pelas notícias recentes sobre as intromissões duvidosas da Maçonaria no poder (ver exemplos aqui). Com tanto suposto secretismo sobre estas sociedades, sobre a exclusividade elitista dos seus membros e sobre o que lá farão nos dias de hoje, tenho cá para mim que o que se passa realmente nesses ajuntamentos de homens graúdos de avental na anca - repletos de "rituais misteriosos e místicos" - será mais ou menos isto:
Que defendeu hoje a sua tese e que merecia certamente mais do que a nota que lhe foi dada. Mas a vida é assim e o que interessa é que já tens esta fase arrumada, rapaz.
Espaço para despejar perguntas e frustrações sem nunca ter em vista qualquer tipo de resposta.
Segurem-se bem às vossas secretárias ou smartphones (que modernos que estamos!), pois na maioria das vezes o nível de parvoíce estará descontrolado por aqui.
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